Primeiro
veio a ânfora, um jarro de origem grega elaborado a partir de argila seca,
revestida de resina e que serviu inicialmente para armazenar a bebida, além de
facilitar seu transporte. De origem milenar, as ânforas já eram utilizadas
pelos gregos e romanos que, para o armazenamento dos vinhos, traziam inscrições
para indicar o nome do produtor e a safra. Na época, a fermentação do vinho
ocorria sem intervenções como hoje, pois mantinham-se as uvas no recipiente e
selava sua abertura com cera.
Séculos
depois (II d.C) as ânforas foram substituídas pelas barricas, inventadas pelos
gauleses e celtas, que também utilizavam-nas no transporte e armazenamento do
vinho. Porém, logo se descobriu os efeitos colaterais do contato do vinho com
esse material, onde proporcionava uma aceleração na sua maturação devido a sua
textura porosa, que permitia o que conhecemos hoje como processo de “micro-oxigenação”
(contato mínimo do liquido com o ar, permitindo um amadurecimento). Essa
conclusão é mais recente, mas ao longo do tempo foi se aprofundando os estudos
sobre os benefícios da passagem dos vinhos pela barrica, permitindo extrair características
distintas e individuais. Alguns dos benefícios comprovados e que muitas vezes elevam
os preços de alguns rótulos é a propriedade de amaciar e arredondar os taninos,
principalmente de cepas bem “ásperas”; e fornecer aromas terciários (aromas
esses também adquiridos quando envelhecido na própria garrafa).
Os barris
de carvalho mais utilizados na elaboração de vinhos são o francês e o
americano, onde este primeiro tem mais prestígio pela maior complexidade
trazida ao vinho. O carvalho permite melhorar vinhos sem identidade, e a partir
de sua tosta, fornece-lhes aromas e untuosidade. Carvalhos de outras regiões
permitem outras possibilidades no que diz respeito aos aromas e texturas.
Com a
modernização da vinicultura, veio os tanques de aço inox, que por sua impermeabilidade
e controle de temperatura permite prorrogar o processo natural de oxigenação,
retardando sua evolução. Isso abre muitas possibilidades de estilos na
elaboração de vinhos.
Enfim,
existe um mundo de possibilidades ao se fazer uso desses recipientes, que vai
depender do que busca o enólogo. Podemos ter, p.ex., aromas amadeirados se quem
o vinho passe por barricas, características única e exclusivas do terroir. Pode-se se buscar também, a
depender da região, um vinho mais agressivo e que por sua passagem por barrica
não permite prevalecer seus taninos. O fato é, com barrica ou sem barrica, o
prazer esta em apreciar essa bebida dos deuses a partir de suas notas e nuances
e perceber suas diversas formas de nos seduzir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário